Dignidade se escreve com sotaque, cor, gênero, raça e fervo

[Este poema-evocação deve ser falado em portunhol claro e com a cabeça bem erguida] 

Hasta que la dignidad se haga costumbre estaremos aqui, presentes y fuertes manteniendo la cabeza en alto y el corazón dispierto.

‎Até que a dignidade vire costume, temos que insistir, falar, refletir, reclamar
‎Até que a dignidade vire costume, temos que agradecer os dias de sol e temer os dias de chuva
‎Até que a dignidade vire costume, temos que sentir falta de andar por nossas ruas, e também medo quando temos que, ao anoitecer, cruzar por elas

‎Hasta que la dignidad sea el pan de cada dia seguiremos con los ojos bien abiertos, inaugurando rodas, terreiros, cozinhas, aonde fofocar a vontade e semear sonhos.
‎Nossos corpos não caminharam nunca más sozinhos pois entendemos a potência de um nosotros‎ tomadas das mãos para não perder o rumo…

‎Até que a dignidade vire costume, temos que olhar um para o outro com carinho e afeto, pois em um mundo tão adoentado amar pode ser remédio.

‎Hasta que lá dignidad se haga costumbre recordaremos a las nuestras y honraremos su memoria.
‎Ritualizaremos El afecto, El cuidado El café com tiempo


No callaremos las injusticias, no nos conformaremos com la guerra, ¡con Los muertos en Palestina con El genocida Israel matando niñas y niños que podrían ser Los nuestros!

‎Até que a dignidade vire costume, temos que dançar em meio ao som dos pássaros, pois não sabemos quando vai ser a última vez que aquela espécie poderá ressoar seu canto…

Como tantas que não puderam mais ressoar suas línguas.

‎Hasta que todo sea para todos estaremos en las calles ocupando a rua com nossos carnavais e nossas lutas
‎Semearemos onde antes só tinha medo, lixo e solidão.
Gritaremos os nomes das companheiras mortas, denunciando o feminicídio que arrasa nossa Latinoamérica a polícia que mata na favela, a redes que silenciam as nossas verdadeiras dores.

‎Até que a dignidade vire costume, temos que brincar feito crianças com nossos pequenos que ainda acham que a vida é digna, pois conseguem com o seu olhar de infância ainda ver que há muito mais coisas boas em um mundo que parece só ter coisas ruins.

‎Hasta que los territorios sean nuevamente nuestros, estaremos haicendo memoria,  denunciando el sistema colonial que racializa nuestros cuerpos y nos separa.


‎Até que a dignidade vire costume, temos que plantar, guardar as sementes, traçar planos de sobrevivência e alagamentos de abundância, pois até que a dignidade vire costume continuaremos sendo alvo do roubo de alguém, mas se formos dignos entre nós mesmos, ergueremos grandes escudos contra os que dizem que somos ninguém!

‎Hasta que la dignidad se haga costumbre nos veras colectivando, esperanzando, corazonando

SIEMPRE!


Poema de Day Moreira e Tatiana Azeñas, educadoras de São Paulo (SP) e Guarulhos (SP), e recitada no segundo dia do Seminário Nacional Usina de Valores: educação popular em direitos humanos, no dia 28 de agosto. Promovido pelo Instituto Vladimir Herzog em parceria com o Ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania, o encontro em Brasília reuniu sessenta defensores e defensoras de direitos em periferias para refletir sobre práticas de educação popular em direitos humanos.

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