“Com Usina de Valores, conseguimos levar nossas pautas adiante”, diz participante da metodologia em podcast
Tatiana Azenãs e Lilian Bonfim compartilham sobre contribuições da metodologia para o Bloco Maria Sapatão, de Guarulhos, em podcast Conexões Solidárias, do Instituto Black Sampa
Nesta terça-feira (3), participantes do percurso formativo da Usina de Valores em Guarulhos estiveram no podcast Conexões Solidárias, do Instituto Black Sampa. Durante a conversa, elas compartilharam suas experiências com a Usina de Valores, metodologia de educação popular em direitos humanos do Instituto Vladimir Herzog, e como ela tem contribuído com o grupo formado em Guarulhos em parceria com o Bloco Maria Sapatão a se organizar coletivamente para levar suas pautas adiante.
São 16 mulheres participando dos encontros formativos desde março. Para Tatiana Azeña, integrante do bloco e educadora que tem conduzido o percurso, o bloco tem avançado na sua mobilização ao longo da formação: “A Usina de Valores chega em um momento em que o Bloco precisava circular mais as suas pautas de luta”.
O Bloco Maria Sapatão une a festa do carnaval à luta das mulheres LBTs desde 2022. Para Tatiana, a presença da bateria na cidade demonstra o protagonismo de mulheres ocupando e construindo a cidade e, portanto, seus direitos: “A construção do Carnaval está sempre vinculada a lutas sociais, assim como cada ação de luta social está ligada à linguagem do Carnaval e aos corpos das mulheres, que podem estar onde elas quiserem”.
Lilian Bonfim, fundadora do Bloco Maria Sapatão e uma das participantes do processo formativo, também avalia que a parceria com o Instituto Vladimir Herzog, por meio da metodologia Usina de Valores, tem fortalecido o coletivo, ao promover espaços para mapeamento do território, definição de uma problemática prioritária e aprofundamento da pauta com especialistas.
“A Usina de Valores traz um método para que a gente consiga debater. Nós conseguimos divagar no grupo quais são as necessidades e, depois disso, nós temos profissionais que vão falar sobre esse assunto”, refletiu.

No processo formativo, o grupo identificou uma problemática local para se mobilizar em torno dela: a ausência de iniciativas comunitárias voltadas para o cuidado da saúde mental de mulheres professoras no município. Esse debate foi aprofundado com o apoio de uma especialista em psicologia escolar, do trabalho e da saúde e, em maio, o grupo convidou professoras para a compreensão das questões levantadas.
“A gente pode até falar de um monte de coisa de forma inocente dentro do nosso próprio universo. Mas quando traz o profissional, debate com o grupo e leva isso à frente, mostra o quanto a equipe está preparada, quanto o projeto está preparado, escuta a sociedade, escuta o grupo que está necessitando de um auxílio e isso é levado pra frente”, apontou Bonfim.
Luiz Barata, supervisor pedagógico da metodologia, destacou que a escolha de um problema prioritário entre os identificados pelo grupo envolve um processo coletivo de decisão, com foco na mobilização – ou seja, construir e colocar um plano de ação em prática. “Quando você passa pelo processo e tem essa experiência de identificar um problema, construir um plano de ação e tentar incidir politicamente sobre ele, você constroi uma experiência. Então você pode replicar isso para outros problemas que foram levantados [pelo grupo] e foram ‘abandonados’”, explicou.
Tatiana Azeñas também destacou a importância da coletividade na luta por direitos: “A gente sabe muito bem que os direitos não são dados, eles precisam de uma luta por trás para serem garantidos. Então a gente precisa se coletivizar, atuar coletivamente, para colocar as nossas agendas e nossas pautas nas agendas de quem pode tomar as decisões”, reforçando o papel do Estado na garantia de direitos e a importância da formação e atuação de defensores dos direitos humanos no enfrentamento às violações.
Guarulhos é um dos 16 territórios onde a metodologia Usina de Valores está sendo desenvolvida em 2025 pelo Instituto Vladimir Herzog e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, sempre em parceria com organizações locais em cada um dos territórios, como o Bloco Maria Sapatão. O objetivo da metodologia é fortalecer o engajamento político e a construção de redes de ação em defesa dos direitos humanos em territórios periféricos das grandes cidades.
