Lideranças populares levam a Brasília suas pautas e iniciativas locais

Coletivos periféricos reuniram-se com representantes de ministérios e parlamentares na abertura do Seminário Nacional Usina de Valores: Educação popular em direitos humanos

Na última quarta-feira (27), mais de 50 defensores/as de direitos em periferias se reuniram no Sindicato dos Professores do Distrito Federal, em Brasília, e apresentaram iniciativas locais para representantes do poder na abertura do Seminário Nacional Usina de Valores: Educação popular em direitos humanos, que seguiu até 29 de setembro, por realização do Instituto Vladimir Herzog em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Demarcando a presença das pautas periféricas na capital, a cerimônia contou com a presença de Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, Ivanna Torres, coordenadora-geral de Educação em Direitos Humanos e Meio Ambiente do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, e José Geraldo de Souza Junior, professor emérito da UNB (Universidade de Brasília). A mesa de abertura do Seminário foi mediada por Hamilton Harley, coordenador do programa de Educação em Direitos Humanos do Instituto Vladimir Herzog. 

Lideranças populares de diferentes territórios colocaram diante dos convidados da mesa objetos que simbolizam seus coletivos, organizações e lutas. Fotos: Catarine Brum/IVH

Foram apresentadas pelos participantes presentes iniciativas populares de 16 territórios, distribuídos em seis estados do Brasil, que buscam articular soluções coletivas e locais para a garantia de direitos humanos. As iniciativas são resultado das experiências dos participantes com a metodologia Usina de Valores, expressas em diferentes mobilizações: mutirões, rodas de conversa com moradores, caminhadas, reuniões para o desenvolvimento de Planos de Bairro e criação de fóruns, em torno de problemáticas como falta de saneamento básico, dificuldade de acesso à saúde e coleta de lixo.

Para o professor emérito da UnB José Geraldo de Souza Junior, a apresentação de representantes de territórios significou a realização da educação popular, que, segundo ele, não é algo teórico, mas sim prático:

“Cada fala aqui foi transformadora. Foi uma referência a essa maneira transformadora que é o estar no mundo para transformar o mundo”.

A ministra da Igualdade Racial evidenciou o reconhecimento das vivências periféricas enquanto potência a ser valorizada na luta popular. “Chegar aqui e ter essa combinação dos sonhos de dar aula quando criança, de ter uma vivência de ter perdido alguém que era defensora dos direitos humanos, faz com que a gente chegue aqui e que a cabeça pense onde os pés já pisaram”, disse.

Educadora Day Moreira entoou canto para celebrar a união dos coletivos na abertura do evento. Foto: Catarine Brum/IVH

A abertura do seminário foi marcada por uma celebração simbólica: representantes de cada território levaram à mesa objetos que expressavam a identidade, as organizações e as lutas políticas de suas comunidades, reforçando a presença e a representatividade de cada um. 

Os representantes do poder público reconheceram e celebraram a trajetória dos coletivos, destacando a importância das iniciativas populares na defesa e promoção dos direitos humanos. “Os direitos humanos não são ideias, são isso que vocês fazem”, definiu o professor emérito da UnB.

Hamilton Harley, do Instituto Vladimir Herzog, destacou as iniciativas dos coletivos como uma resposta contrária ao crescimento do individualismo e da descrença na participação política. “Usando estratégias para mobilizar seus territórios, vocês estão tornando acessível as palavras ‘direitos humanos’”, afirmou.

O desenvolvimento do processo formativo da Usina de Valores em cada território conta com a parceria de organizações locais já atuantes nas comunidades e presentes no Seminário Nacional: Casa Cultural Hip Hop Jaçanã, Instituto Esperança Garcia, Varre Vila, São Mateus em Movimento, Bloco Maria Sapatão, Coletivo Raiz, Massapê, Instituto Gênesis, Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara, Coletiva Mulheres da Quebrada, Museu Sankofa e OSIDIBR. 

Seminário Nacional Usina de Valores: Educação popular em direitos humanos

O Seminário aconteceu entre os dias 27 e 29 de agosto, em Brasília, para fortalecer o engajamento político, conectar coletivos, fortalecer redes, visibilizar demandas e formular propostas concretas, contribuindo ainda com o processo de revisão do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH). 

No segundo e terceiro dias dos Seminários, houve uma mesa sobre o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos e a formulação em Grupos de Trabalho, quando participantes trocaram saberes e vivências dos diferentes territórios e sistematizaram propostas para a implementação de práticas de educação popular em direitos humanos. 

O documento construído coletivamente contém compromissos locais a serem desenvolvidos nos territórios e ações programáticas para serem reivindicadas junto ao poder público para fortalecimento do engajamento político nos territórios, sustentabilidade das organizações locais, além de ações para garantir o direito à saúde e moradia digna.

Veja também:

Em Brasília, coletivos periféricos firmam compromissos coletivos para fortalecer educação popular em direitos humanos

Álbum de fotos do Seminário Nacional Usina de Valores

Deixe um Comentário





sete + 16 =